26 de abril de 2009

a semente de mim

Quando percebo-me o cérebro diluiu-se em explosão. Lá não sou mais aquela, nem a outra.

É quando me esfacelo e dilacero, quando encontro-me aos pedaços, que eu avisto o meu verdadeiro eu.

Desconstruo-me em uma miraculosa gama de cacos indecifráveis, e sei realmente o que sou.

Afugento todos os excessos, faço necrosar o que não sou. A dor da auto-mutilação é a recompensa por realmente entregar-se a si.

O que sobra?

A semente de mim.

O que dissipa?

A frouxa e desprezível derme tolhedora.


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ainda tento escrever coisas mais brandas e conduzir os meus pensamentos de forma mais bela. mas a vida é dura e nos impulsiona à profunda reflexão, que pouco-a-pouco, mostra os seus sintomas bruscos e irreversíveis

11 de abril de 2009

o que torna o amor tão raro para esta condição?

a semente é semeada no mais genuíno calor do amor
mas o fruto é ganancioso e não sabe ponderar

pobre homem que nasceu com o peito aberto
que cresceu a amar e fazer da vida um infinito chorar

ele não encontra a sua amada, mas ela o espera pacientemente sentada
ambos com corações verdadeiros
flagelados pelos que só querem as sensações passageiras

e assim ele vive a se fechar...

não ama pois não enxerga,
não fala pois pinta,
não vive pois ama.


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dramas da contemporaneidade - os ombros arqueiam-se carne a dentro*, impelindo todo e qualquer EFEITO de impacto. Simulacro, placebo massacrante.
*carne a dentro; quando muito elevado, no máximo alma. rs. mas isso só quando se sabe della....

25 de março de 2009

caixote com graxa

sinto-me triste neste momento, e por esse estado me igualo à multidão.

essa semana um rapaz louro pediu-me um beijo. ele também parecia muito triste; contou-me que nunca havia sido beijado.

vi a verdade em seus olhos caídos.

talvez se eu fosse pouco menos sincera teria lhe beijado, por compaixão, mas pensei que talvez iria piorar a situação do rapaz deformado.

sem reação contei-lhe a verdade, lhe confessei que eu esperava por um rapaz, e que eu não podia ajuda-lo.

não me olhou mais nos olhos, nem sequer disse o meu nome. trocou de mão a caixa de madeira suja de graxa e a encaixou no ombro. Abaixou a cabeça e saiu em busca de uma nova ilusão.

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eu não serei mais um dos seus bens de consumo. eu não desejo isso

nunca quis um blog por conta da minha inconstância. muito tempo depois, um postzinho...

histórias do meu dia-a-dia. quase sempre melancólicas, quase sempre indesejadas. rs

8 de março de 2009

o cão de flor

Alimentei o cão com flores, um ato poético.
Tão mais belo seria apossar-se por completo das essências sutis, que a putrefata carne que infecta o ambiente, já não consegue mais sentir.
Mais sublime ainda seria reduzir essa infundada realidade a mera ilusão. Mas a ficção se encarrega de ocupar-nos por inteiro, tão completo até que já não se possa mais sentir a insuportável dor do viver.
Reduzir-se. Atrofiar a existência a um casulo que protege e impele a vida da própria evolução. Sensação


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O retorno ao natural seria então o caminho da sublimação? – (Degradé)

28 de fevereiro de 2009

São indivíduos porque são divíduos!

o nosso corpo é demasiadamente fraco para suportar as exigências do espírito: ou renunciamos ao efêmero ou retardamos o complexo proceso evolutivo da alma


que título esclarecedor! - diacerados do mundo.

18 de fevereiro de 2009

No title

Quão bela és a sua energia
uma força, uma calma, um sentimento
algo atordoante a qualquer reles alma.

Olhos cristalinos, cabelos capinados
assim como outrora decapitados
pelos calmos pensamentos agitados

Envolto por estranheza e sublimação,
cria um menino para fazer-se ser,
algo que não és, um distúrbio.

Que magnífico este heterônimo de você
engraçado e amável,um ser incompreensível
almejando sentir o verdadeiro sentido da vida.

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mais um para a sessão de novas velharias...

velhos amores de hoje...

e constantes pensamentos

8 de fevereiro de 2009

frases

nem sempre tão constante

feliz e cintilante, brilha ao cantar

louca ou varrida, uma pedra é o que és

cabra-menina

que o macho se urina

cara arícia

uma mulher a se admirar.



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a certa hora ela me perguntara porque eu havia desenhado a sua boca azul, que isso era absurdo. (não gostei!)

então eu lhe respondi que a boca assim fora desenhada, pois era assim que eu a via.

26 de janeiro de 2009

Desenhos em perspectiva, sem perspectiva.

Hoje o enrugado senhor não veio ao terminal. Desenhar corpos nômades e desabitados de si mesmo é o que preenche a sua percepção de tempo.

Sempre curvado em sua prancheta com uma caneta pronta para capturar a próxima cena que lhe chamará a atenção. Como base sempre algumas linhas, um pouco tortuosas, dispostas em perspectiva; perspectiva essa inútil já que naquele lugar os objetivos parecem ser tão vagos.

Ele captura as pessoas que não param, que estão sempre a procurar. Alguns deles buscam um caminho, um rumo, quem sabe até o rumo de uma vida sem saídas. Aquela parece olhar ao redor em busca de um amor; tão tola, devia é olhar pra si mesma.

Hoje, o senhor japonês que ocupa o lugar do desenhista era o único que não parecia querer achar nada. Ele passava as suas manhãs ali, junto ao desenhista, esperando apenas o incandescente voar do tempo... Como um suicida. Mas não esses suicidas comuns, um suicida paciente. (mas que ironia).

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Que engraçado, certa vez uma pessoa muito próxima a mim - não próxima em quantidade de horas, mas em estágio de evolução - disse que eu cantava todas as músicas em um ritmo próprio, não importa o que for, funk ou ópera (adoro cantar óperas), todas tem o mesmo ritmo. Eu sempre transponho elas para a minha realidade.
Talvez seja por isso que as pessoas passam pelo mesmo lugar que eu e não veem o que eu vejo. Tudo faz parte da minha realidade.

21 de janeiro de 2009

Fu, fur, furinho - côncavo humano



um, dois, três, quatro cinco, seis, sete, oito, nove, dez.
dez dedos.
eu tenho cinco dedos no pé esquerdo, mais cinco no direito.

as unhas são azuis neste momento, sendo que o terceiro dedo do pé esquerdo tem uma pequena falha no esmalte; isso deve ter acontecido quando eu coloquei a meia...

Desfaço-me deste pensamento e subo o olhar...

o céu está suavemente azulado, e o sol já vai se por.
se não fosse pela poluição e por tantos prédios essa deveria ser uma cena bonita.

olha, um beija-flor!
acho que ele já se acostumou com a minha presença. sequer liga se eu estou lhe olhando ou se apenas faço parte da paisagem.

é, talvez essa existência seja insignificante....

Pego a maçã que estava ao meu lado, apoiada na mesa amarela, a qual eu estava sentada.

como eu gosto de maçã!
é uma fruta tão elaborada; tem a quantidade certa de açúcar para que não seja nem tão doce, nem tão desprezível.
de onde será que sai tanta água da maçã?

Fiquei alguns minutos a observar. . .

A fruta permite ser saboreada de forma completa; leva uma vida toda para um único desfrute. Isso não pode ser desperdiçado.

Dentre o sulco carnudo do fruto, e as deliciosas sensações oferecidas, pode-se perceber uma infinita porção de minúsculos furinhos. É lá! É lá que a fruta agrupa milhões de moléculas de água, nos furinhos!

Doces pingos frutíferos

A sensação do permitir-se, de experimentar os sentidos é tão libertina, basta um estopim.
O perceber desdobra-se em uma miraculosa gama de sensações fantasiosas, o pensamento liberta-se das amarras do psicológico e entra na quimera dos delírios. Ah! Nessa hora, o você, o ser que vê o mundo de frente, já não importa, é secundário. O que se deseja apenas é mergulhar mais e mais.

Perdido por perdido já somos, pois o decorrer da história não nos foi contado. Que ao menos este momento seja de descobertas e, conclusivamente de libertação.



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Costumo contar os dedos dos pés. Curiosamente ontem vi uma mulher sem o dedão do pé direito, ou esquerdo. Não sei. Um dos dois pés, porque eu sempre confundo direito com esquerdo e esquerdo com direito.
Hoje eu entendi que poucos podem entender o que eu falo. (rs)

17 de janeiro de 2009

uma casa de vidro


a cada dia que passa eu me isolo mais
e o que é pior,
não tenho mais medo disso

crio uma redoma translúcida
na minha realidade inóspita
onde o humano, não há de habitar

cheguei a um ponto sem volta
onde o hermetismo de minhas idéias
já é demasiadamente fútil perante as futilidades ainda maiores

sinto-me agora pouco melhor
pois sei que eles não me terão
encontro-me em um ponto, onde as volúpias da irrealidade
tornam-se mais concretas que os devaneios dessa sociedade

assim eu me refugio
me guardo
até parei de falar
de ouvir o ensurdecedor

agora sou apenas eu

resta um
partido em dois
faces similares de um mesmo Composto
exposto, apenas exposto





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Não ouvirei beatles só para te agradar ou para ter assunto
Gosto do silêncio
Aliás, prefiro!
Aí sim, pode-se dizer muito mais com os olhos
Ah os olhos, mas isso é outra história...

Conto inventado, que há de ser declamado, para que os olhos, estes globos incandescentes, possam pousar serenamente
 
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