27 de outubro de 2010

Garota Planta



Por medo de sonhar em demasia, ela, a garota, optou por apenas viver nos ventos sublimes e azuis dos encantamentos oníricos. Fez o seu medo, o seu porvir ainda mais belo.

Renunciou à falsa vida e planta tornou-se. Passou a ter aorta de galhinhos esverdeados que conduziam uma seiva tão alva quanto as penas daquelas gaivotas do Sul. Dos galhinhos saem também incontáveis folhinhas que na primavera floram e eclodem frutinhas, as quais, minúsculos passarinhos devoram com todo o seu amor de fantasia.

E ela, a garota, também passou a se alimentar de si mesma, e assim, notou que a felicidade serena passou a ser a sua única realidade. E então amou. Amou com verdade a sua existência e também a de todos os seres que a faziam intensamente viva.

23 de setembro de 2010

14 de setembro de 2010

little_secrets

Caso tenha alguma pergunta a fazer, apóie sua cabeça serenamente sob o travesseiro e aguarde a viagem noturna chegar... o dia seguinte transcorrerá fluido e aparentemente corriqueiro, mas lá pelas sete ou oito, talvez dez, você notará que a resposta veio quase que imperceptível, e que agora, já faz parte de uma certeza!

Confie, se perguntar com sinceridade e amor, elas lhe contarão os segredos ao pé do ouvido.





14 de agosto de 2010

'outros tempos'


idade contemporânea
meu medo é índio não saber mais tratar do veneno da aranha
viver no genérico
no bolsa família
usar short da adidas
que vida!
banidos do paraíso
perde-se o choro, o rito
a magia, o mito
o que sobra? 
quando sua essência é devastada pelas mãos de carapuceiros?
agora, globalização, caba não mundão!
indío quer dinheiro.

 
Texto: Natame Diniz
Foto: Mariana Conti
*início do projeto 'outros tempos'




13 de agosto de 2010

Estrofes passarinheiras para um ninho alado

o meu ninho se foi
e olha que o canário sou eu
ele voou para o céu do infinito
e eu por aqui fiquei

mas veja só que ironia
eu que sou desses seres de voar
decidi por aqui ficar e outros caminhos desbravar

enquanto essa inversão acontece
o meu peito não esquece

nossa! eu tive um ninho alado.
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estudo número quatro sobre a passarinhagem

11 de agosto de 2010

Estrofes passarinheiras para um ninho que se foi

e eu que sou canário
agora não tenho onde morar
vou vagando por aí afora
até o mundo todo eu voar

o meu ninho se foi com as chuvas
e para esse inverno fiquei à deriva
mas como ainda sei planar
saio por aí afora a en-cantar

quando o frio findar
talvez eu volte pro meu aconchego,
isso se eu o encontrar,
aí sim serei feliz demais
para o amor novamente eu desbravar
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estudo número três sobre a passarinhagem

10 de agosto de 2010

Protopoema de um ninho feito com galhinhos dos jardins do cerrado

o meu ninho é quente e cheira
amor

o conforto dele é a paz
mundo

ele é quente nas invernadas
calor

porém seja leve nas floradas
pluma

lá encontra-se toda a calmaria do mundo
harmonia

é o meu não lugar.



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estudo número dois sobre a passarinhagem

9 de agosto de 2010

Introduzindo seres estranhos à passarinhagem

- você foi só?

- não, não. claro que não! Manoel me acompanhou em todos os momentos.

- Que Manoel?

- de Barros. grande companheiro de viagem! conversamos sobre muitas coisas importantes, sobre as borboletas, os rios, o azul, o branco, as formigas, os Pássaros. só não falamos das pessoas, mas isso não tem importância mesmo.

- e quem é esse tal de "de Barros"?

- ah, é um homem que aprendeu tanto, mas tanto, com os pássaros, que acabou sendo adotado pelo João e herdou seu sobrenome:  "de Barro".


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estudo número um sobre a passarinhagem

26 de julho de 2010

Um post da Chapada

Amigos,


Ainda estou pela Chapada dos Veadeiros no Encontro de Culturas Tradicionais, o lugar está lindo, cheio de pessoas especiais e um clima ótimo. Sinto falta de uma porção de coisas, que por hora, me deixam um vácuo no peito, mas me contento em viver o momento e perder-me na natureza incrível desse lugar.


Em breve volto com fotos, estórias e alguns machucados...

13 de julho de 2010

Headline




Que absurdo! Até parece que o governo francês está preocupado com os direitos das mulheres, pois se estivesse de fato, tomaria medidas efetivas que venham a combater problemas de ordem muito mais urgente do que um tecido sobre o corpo. Combateria o abuso sexual, moral, aprovaria leis que forneçam condições de vida realmente adaptadas às necessidades da mulher. Isso sem falar dos temas clássicos: fome, mortandade infantil, saúde básica, desemprego, depressão, entre tantos outros assuntos que insistem em habitar a realidade atual. 

Os representantes do governo francês simplesmente quiseram interferir em um tema ao qual eles não conhecem absolutamente nada. Mudaram tradições seculares sem sequer pensar na raiz do problema. Se ao menos eles tivessem abordado a proibição de homens obrigarem mulheres a utilizarem o véu, mas não, foram na essência do desrespeito. Infringiram a barreira invisível dos Deuses, dos céus; querem impor costumes de uma sociedade moderna e decadente, que é a França, sob uma minoria politicamente fraca.

Isso é um verdadeiro estupro ao simples direito do cidadão de ir e vir, o direito de fazer o que quer contanto que não interfira negativamente na vida de ninguém. Uma ridícula estratégia do governo em tentar conter um problema que eles não têm o menor controle: o terrorismo. A violência. O caos da mente contemporânea.

Mais uma prova da falência das Instituições Sociais. A demonstração da anemia e da evolução limitada dos atuais Governadores do Mundo.

Uma decadência. O fim.

Talvez a próxima lei seja contra a fome dos patos. Viva o Foie de Gras!

 
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