8 de maio de 2010

algo sobre a natureza das coisas

de todas as formas de beleza eu prefiro aquelas mais ocultas, que nem sempre se mostram. aquelas que não impressionam ou cegam, mas que se revelam em pequenos gestos e olhares singelos.


das companhias, prefiro aquelas que se confundem à solidão. não por serem ausentes, mas justamente por serem tão intensas e herméticas como a presença intrínseca e, tantas vezes imperceptível, do si para o eu.


e as palavras? não ligarei se forem inexistentes, pois a ausência também fala. talvez prefira que o corpo todo fale, e use  a sua intensa presença de matéria para expressar-se, ao invés de simplificar a complexa gama de sentidos das sensações em meras palavras soltas ao ar.


e essa descrição? é para dizer que talvez a matéria exacerbada seja sufocante em demasia. tolhedora.


...que talvez incorporar a fluidez indefinida da natureza seja a intensidade integral e verdadeira.

10 de abril de 2010

ferida exposta

aqueles foram tempos precários. talvez os anos mais ásperos que a humanidade vivenciaria.

a precariedade não residia apenas na miséria do corpo, ia além-matéria, pois o que perecia ao sol e às moscas, era o descaso dos deuses cansados.

O ser.

renunciara o paraíso pela sua demasiada utopia, pela sua banalidade exacerbada e permitira-se viver conforme os rumos trôpegos do vento, pois nem o corpo, nem a alma desesperançada lhe importavam mais.

assumira a sua não-vida e vivia a morte em vida, a alegria em vácuo, o corpo em decomposição. esse era o seu legado, o seu bem maior, renunciar a tudo o que lhe foi dado por falta do que se desejara com intensidade e verdade.

para ele, a vida então, já não era mais a vida que se conhece, nem a morte que se imagina. permitiu que em sua biografia ela torna-se um grito sem som, um corpo sujo ao chão e a visão de um verme lhe comendo a ferida.



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à aquela criança que chorou e não foi ouvida, ao tolo amor sucumbido, às materialidades, ao mundo que hoje definha sobe o descaso do poder efêmero e banal humano.

2 de abril de 2010

a poesia do homem negro

enquanto honrosas pessoas espantavam-se com o aspecto repugnante do indigente, senhouras digníssimas de título de santidade, rezavam em seus terços, pedindo um fim trágico àquela figura pútrida e indigna de coabitar aquele espaço.

o ar, embebido por sentimento de piedade católica, não permitiu que fosse transparecida a revolta arrotada pelos presságios daquele ser primitivo. dentro de sua protozoária evolução não havia espaço para as vácuas palavras proferidas pelo Senhor.

foi então, que o trôpego homem revoltou-se pelas cinco gerações que contribuíram para a calmaria daquele momento, e convulsionou o último grito antes da loucura:
"a gente quer a sua poesia pra falar que foi o homem branco que fez".

19 de março de 2010

fui pra bahia!

eu já vivo tão cansado
de viver aqui na terra
minha mãe, eu vou pra lua
eu mais a minha mulher
vamos fazer um ranchinho
tudo feito de sapê, minha mãe eu vou pra lua
e seja o que deus quiser

1 de março de 2010

memórias de uma viagem, inscritos de um avião.


a ausência do mundo teve início quando eu percebi que já não havia mais necessidade da falsa presença, conscientizei-me que o corpo é apenas a extensão da alma, e ela, unicamente ela, é que deve ser ouvida. e então, eu a ouvi.


é uma fase leve, caracterizada pela ausência de gravidade, é a fase das vontades espontâneas.


fui parar nas alturas. cheguei ao topo do mundo e avistei a imensidão da vida, senti o que não pode ser visto, visitei em sanidade o que a alma visita quando liberta pelo sono do corpo. amei com intensidade o amar.


não revoltei-me, não tive pensamentos ruins, não lembrei-me da vida medíocre a qual nos submetemos em troco de nada, simplesmente estive nas nuvens e deixei-me dissolver com elas.


esta não foi uma viagem para reflexão.. não! definitivamente não. muito menos de lazer. foi um momento que eu concedi ao meu corpo preso, que pudesse sentir as levezas da alma. ver belas paisagens e fazer parte delas, ser elas. dissolver-se na imensidão bela e bela também ser. sublimação, a maior busca.


aspirar pelos poros a perfeição da natureza não corrompida, não imunizada pelo caos do automatismo, da praticidade, da vida nesse formato caótico.


a grande leveza e energia intensa da atividade incessante e constantemente renovada da cachoeira, a força interna que nos causa a composição perfeita e universal do arco-iris, a chuva genuína que cai na terra despretensiosamente, mas que abençoa e limpa a todos que estão abaixo dela.


o medo do desconhecido e perigoso, tão necessário ao nosso auto-conhecimento. o silêncio que não emite som, nem sequer pensamento. o vácuo necessário para que se possa sentir e não imaginar. ser a si mesmo. ser o todo, e o todo, você.

29 de novembro de 2009

talvez o sentido esteja em não haver sentido, esteja na simplicidade de ser. e estar.


é, talvez seja isso!

25 de novembro de 2009

um brinde aos olhos!


acho medíocre em trabalhos acadêmicos ter agradecimentos, por isso resolvi fazer um desenho que representasse o meu intenso pensar.

aos olhos! - em casos de dúvidas podem me perguntar -

hoje, a plena certeza do que são os olhos, um agradecimento sincero e muito significante pra mim.

...aos verdadeiros amigos que rezaram intensamente pela entrega desse tcc (dos infernos), saibam que a minha reza também será em dobro para vocês! Apesar de eu não ter conseguido entregar na data, hoje algumas pessoas aprenderam lições muito mais profundas do que o meio ponto perdido pelo atraso.


siga os olhos e não haverá decepções. rs (algo como a tal da música do mágico de oz..."fallow the yellow brick road")


*dedico essa imagem aos amigos que não poderão ver o tcc para poder conferi-la ao vivo e impressa.

15 de novembro de 2009

a mente não mente, bloqueio iminente

os parcos desenhos.


*retrato de uma repressão craniana feminina, enclausurada no envolto masculino

7 de novembro de 2009

bird

para hoje já não desejo mais as palavras
não desejo aquele velho desejo
gostaria de poder sentir a essência da intensidade novamente


sentir o calor do círculo que emana
ver a cor do corpo que ama
ter a ti em mim
e a mim em ti


hoje já não há mais tempo que se possa esperar
pois o clamor da urgência é irrefutável
assim como o meu corpo instável
em busca de ti





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1. leiam Mariana Alcoforado e as suas "Cartas Portuguesas". Depois se questione sobre o que é amor..rs


2. Mudo de opinião e não tenho vergonha


3. Conservo a opinião e sou teimosa mesmo. han!


4. O desenho é meu mesmo (caneta nanquim e photoshop)


5. Jorge Ben me anima.
 
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