18 de junho de 2009
escriturinhas de metrô
O tilintar dos metais em contraponto com os atabaques africanos emergiam de uma atmosfera obscura e, colocavam-na, efemeramente, no estado sereno.
Ao fundo o piano agudo machuca os tímpanos do coração. São pontadas profundas que a cada estridência fazem-na relembrar das sensações torpes.
Mas ao final o poema completa o ciclo e abranda o questionar. A vida nunca cessa enquanto o ser não pára de buscar.
*ao som de "so far"
25 de maio de 2009
para isso não há título
Quero saber o que você deseja ardentemente, se ousa sonhar em atender aquilo pelo qual seu coração anseia.
Não me interessa saber a sua idade.
Quero saber se você se arriscará a parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo.
Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com a sua lua.
Quero saber se tocou o âmago de sua dor, se as traições da vida o abriram ou se você se tornou murcho e fechado por medo de mais dor!
Quero saber se pode suportar a dor, minha ou sua, sem procurar escondê-la, reprimi-la ou narcotizá-la. Quero saber se você pode aceitar alegria, minha ou sua; se pode dançar com abandono e deixar que o êxtase o domine até a ponta dos dedos das mãos ou dos pés, sem nos dizer para termos cautela, sermos realistas, ou nos lembrarmos das limitações de sermos humanos.
Não me interessa se a história que me conta é a verdade.
Quero saber se consegue desapontar outra pessoa para ser autêntico consigo mesmo, se pode suportar a acusação de traição e não trair a sua alma. Quero saber se você pode ver beleza mesmo que ela não seja tão bonita todos os dias, e se pode buscar a origem de sua vida na presença de Deus. Quero saber se você pode viver com o fracasso, seu e meu, e ainda, à margem de um lago, gritar para a lua prateada: ‘Posso!’
Não me interessa onde você mora ou quanto dinheiro tem.
Quero saber se pode levantar-se após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até os ossos, e fazer o que tem de ser feito pelos filhos.
Não me interessa saber quem você é e como veio parar até aqui.
Quero saber se você ficará comigo no centro do incêndio e não se acovardará.
Não me interessa saber onde, o quê, ou com quem você estudou.
Quero saber o que o sustenta a partir de dentro, quando tudo o mais desmorona.
Quero saber se consegue ficar sozinho consigo mesmo e se, realmente, gosta da companhia que tem nos momentos vazios.
---------------------------------------------------------------------------------
*pela primeira vez publiquei algo que não seja meu, mas que apareceu em um dia que justamente essas questões insistiam em dilacerar o meu pensamento.
22 de maio de 2009
sonhos abortados

Os sonhos tiveram que ser abortados. Todos
Isso por conta da massacrante maioria que teima em tardar a evolução humana.
Nos sonhos já não há mais céus azuis, nem borboletas ou sublimação. Parece haver espaço apenas para o ter e o possuir.
Devaneio querer possuir a alva e etérea real sensação do prazer, pois a perenidade pertence, e não compra.
Abortamos os amores singelos e as sensações dos pequenos prazeres.
Devemos dar a nossa vida para a evolução. Por ela trabalho, por ela suporto o hoje.
Densa e espessa realidade a qual carregamos nas costas, levando uns aos outros, mas não conseguindo enxergar o benefício desse peso todo. Não conseguindo compreender quais serão os passos futuros.
Apesar de os sonhos terem sido abortados para esta geração, o mundo não se acabará tão breve, não ainda.
Aceitaremos a nossa condição de hoje para que em um futuro qualquer possamos desfrutar todo o nosso ardor em um plano mais elevado.
... Eles foram decapitados pelos cegos que teimam em prolongar a sua cegueira
Que trabalham em prol do caos de si mesmo, mas que um dia poderão ver a realidade sem esse tal véu tolhedor, e então, despertarão para o novo começar.
Os sonhos foram decapitados, mas nós ainda não. Não.
26 de abril de 2009
a semente de mim
É quando me esfacelo e dilacero, quando encontro-me aos pedaços, que eu avisto o meu verdadeiro eu.
Desconstruo-me em uma miraculosa gama de cacos indecifráveis, e sei realmente o que sou.
Afugento todos os excessos, faço necrosar o que não sou. A dor da auto-mutilação é a recompensa por realmente entregar-se a si.
O que sobra?
A semente de mim.
O que dissipa?
A frouxa e desprezível derme tolhedora.
ainda tento escrever coisas mais brandas e conduzir os meus pensamentos de forma mais bela. mas a vida é dura e nos impulsiona à profunda reflexão, que pouco-a-pouco, mostra os seus sintomas bruscos e irreversíveis
11 de abril de 2009
o que torna o amor tão raro para esta condição?
mas o fruto é ganancioso e não sabe ponderar
pobre homem que nasceu com o peito aberto
que cresceu a amar e fazer da vida um infinito chorar
ele não encontra a sua amada, mas ela o espera pacientemente sentada
ambos com corações verdadeiros
flagelados pelos que só querem as sensações passageiras
e assim ele vive a se fechar...
não ama pois não enxerga,
não fala pois pinta,
não vive pois ama.
-------------------------------------------------------------------
dramas da contemporaneidade - os ombros arqueiam-se carne a dentro*, impelindo todo e qualquer EFEITO de impacto. Simulacro, placebo massacrante.
*carne a dentro; quando muito elevado, no máximo alma. rs. mas isso só quando se sabe della....
25 de março de 2009
caixote com graxa
sinto-me triste neste momento, e por esse estado me igualo à multidão.
essa semana um rapaz louro pediu-me um beijo. ele também parecia muito triste; contou-me que nunca havia sido beijado.
vi a verdade em seus olhos caídos.
talvez se eu fosse pouco menos sincera teria lhe beijado, por compaixão, mas pensei que talvez iria piorar a situação do rapaz deformado.
sem reação contei-lhe a verdade, lhe confessei que eu esperava por um rapaz, e que eu não podia ajuda-lo.
não me olhou mais nos olhos, nem sequer disse o meu nome. trocou de mão a caixa de madeira suja de graxa e a encaixou no ombro. Abaixou a cabeça e saiu em busca de uma nova ilusão.
-----------------------------------------------------------
eu não serei mais um dos seus bens de consumo. eu não desejo isso
nunca quis um blog por conta da minha inconstância. muito tempo depois, um postzinho...
histórias do meu dia-a-dia. quase sempre melancólicas, quase sempre indesejadas. rs
8 de março de 2009
o cão de flor
Tão mais belo seria apossar-se por completo das essências sutis, que a putrefata carne que infecta o ambiente, já não consegue mais sentir.
Mais sublime ainda seria reduzir essa infundada realidade a mera ilusão. Mas a ficção se encarrega de ocupar-nos por inteiro, tão completo até que já não se possa mais sentir a insuportável dor do viver.
Reduzir-se. Atrofiar a existência a um casulo que protege e impele a vida da própria evolução. Sensação
O retorno ao natural seria então o caminho da sublimação? – (Degradé)
28 de fevereiro de 2009
São indivíduos porque são divíduos!
18 de fevereiro de 2009
No title
Quão bela és a sua energia
uma força, uma calma, um sentimento
algo atordoante a qualquer reles alma.
Olhos cristalinos, cabelos capinados
assim como outrora decapitados
pelos calmos pensamentos agitados
Envolto por estranheza e sublimação,
cria um menino para fazer-se ser,
algo que não és, um distúrbio.
Que magnífico este heterônimo de você
engraçado e amável,um ser incompreensível
almejando sentir o verdadeiro sentido da vida.
--------------------------------------------------------
mais um para a sessão de novas velharias...
velhos amores de hoje...
e constantes pensamentos
8 de fevereiro de 2009
frases
nem sempre tão constantefeliz e cintilante, brilha ao cantar
louca ou varrida, uma pedra é o que és
cabra-menina
que o macho se urina
cara arícia
uma mulher a se admirar.