1 de março de 2010

memórias de uma viagem, inscritos de um avião.


a ausência do mundo teve início quando eu percebi que já não havia mais necessidade da falsa presença, conscientizei-me que o corpo é apenas a extensão da alma, e ela, unicamente ela, é que deve ser ouvida. e então, eu a ouvi.


é uma fase leve, caracterizada pela ausência de gravidade, é a fase das vontades espontâneas.


fui parar nas alturas. cheguei ao topo do mundo e avistei a imensidão da vida, senti o que não pode ser visto, visitei em sanidade o que a alma visita quando liberta pelo sono do corpo. amei com intensidade o amar.


não revoltei-me, não tive pensamentos ruins, não lembrei-me da vida medíocre a qual nos submetemos em troco de nada, simplesmente estive nas nuvens e deixei-me dissolver com elas.


esta não foi uma viagem para reflexão.. não! definitivamente não. muito menos de lazer. foi um momento que eu concedi ao meu corpo preso, que pudesse sentir as levezas da alma. ver belas paisagens e fazer parte delas, ser elas. dissolver-se na imensidão bela e bela também ser. sublimação, a maior busca.


aspirar pelos poros a perfeição da natureza não corrompida, não imunizada pelo caos do automatismo, da praticidade, da vida nesse formato caótico.


a grande leveza e energia intensa da atividade incessante e constantemente renovada da cachoeira, a força interna que nos causa a composição perfeita e universal do arco-iris, a chuva genuína que cai na terra despretensiosamente, mas que abençoa e limpa a todos que estão abaixo dela.


o medo do desconhecido e perigoso, tão necessário ao nosso auto-conhecimento. o silêncio que não emite som, nem sequer pensamento. o vácuo necessário para que se possa sentir e não imaginar. ser a si mesmo. ser o todo, e o todo, você.

29 de novembro de 2009

talvez o sentido esteja em não haver sentido, esteja na simplicidade de ser. e estar.


é, talvez seja isso!

25 de novembro de 2009

um brinde aos olhos!


acho medíocre em trabalhos acadêmicos ter agradecimentos, por isso resolvi fazer um desenho que representasse o meu intenso pensar.

aos olhos! - em casos de dúvidas podem me perguntar -

hoje, a plena certeza do que são os olhos, um agradecimento sincero e muito significante pra mim.

...aos verdadeiros amigos que rezaram intensamente pela entrega desse tcc (dos infernos), saibam que a minha reza também será em dobro para vocês! Apesar de eu não ter conseguido entregar na data, hoje algumas pessoas aprenderam lições muito mais profundas do que o meio ponto perdido pelo atraso.


siga os olhos e não haverá decepções. rs (algo como a tal da música do mágico de oz..."fallow the yellow brick road")


*dedico essa imagem aos amigos que não poderão ver o tcc para poder conferi-la ao vivo e impressa.

15 de novembro de 2009

a mente não mente, bloqueio iminente

os parcos desenhos.


*retrato de uma repressão craniana feminina, enclausurada no envolto masculino

7 de novembro de 2009

bird

para hoje já não desejo mais as palavras
não desejo aquele velho desejo
gostaria de poder sentir a essência da intensidade novamente


sentir o calor do círculo que emana
ver a cor do corpo que ama
ter a ti em mim
e a mim em ti


hoje já não há mais tempo que se possa esperar
pois o clamor da urgência é irrefutável
assim como o meu corpo instável
em busca de ti





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1. leiam Mariana Alcoforado e as suas "Cartas Portuguesas". Depois se questione sobre o que é amor..rs


2. Mudo de opinião e não tenho vergonha


3. Conservo a opinião e sou teimosa mesmo. han!


4. O desenho é meu mesmo (caneta nanquim e photoshop)


5. Jorge Ben me anima.

29 de outubro de 2009

talvez, um ponto de vista. rs

eu não me importo que você seja assim, mártir dilacerado.
sinceramente não me importo.


não ligo se você capina os seus cabelos para chocar a si mesmo
se você se machuca para poder se acostumar com a dor


o mundo é deveras pesado para alguns seres


quando vi sua beleza, soube admirá-la, mesmo com todas as angústias que a são intrínsecas


soube admirar a sua harmonia sem mesmo a conhecere
quem se importa?
e quem se conhece?
nem ao certo sei quem sou!


pra mim não importa se você é leve como pena e eu fixa como as raízes de um cajueiro
que você mesmo amedrontado pelos traumas da vida, faz ocultar-se em fantasias
e eu, calar-me


eu, sinceramente, não me importo, pois sei que os seus motivos são verdadeiros e necessários para ti.


era isso o que eu queria dizer e não consegui. e não consigo.
palavras não fazem sentido. não sei usá-las...
nesse momento, me utilizo delas, pois são a única forma de me expressar. acredite.


não lhe tenho garantias, não posso dizer que também flutuarei por nuvens fantasiosas para negar a densa realidade
mas, tudo o que tenho, acredite, são sutis percepções demasiadamente abstratas para poderem ser descritas, mas essencialmente reais para poder negá-las


ofereço a ti sensações e a minha mais intensa e presente presença


o resto, só você pode fazer.
hoje, já não há mais sentido em fugir.


a elevação em demasia suspende, a realidade conduz, basta saber entendê-la.


não seja tão duro. afinal, é só uma forma de enxergar... a ti posso cheirar cocaína, a quem não a conhece, folha de coca.
é apenas o estado da matéria que define a sua descrição. a essência é sempre uma.

27 de outubro de 2009

a anemia do mundo

Sh.


silêncio


-------------------------------- ECO


o eco do silêncio ecoa
embora aqui dentro, garoa.


Não só pela ausência de um Ti,
mas pela imensidão perdida em Si.


encontrar-se é descobrir-se mudo
calar-se é um estado de anemia da alma.


O corpo mudo ecoa a anemia silenciosa do mundo






pingo
pingo
pingo





sem possibilidades de um fim

25 de setembro de 2009

sem forças no momento...


"a ladeira era como um lago que ia se formando, e sobre o primeiro fio de água, moedas de um real retorcidas, jogadas ao acaso por quem levava fé... mais adiante, a fundura do líquido, a alegria do homem, o acalanto do coração".


fragmentos de um sonho tranquilizador...

16 de agosto de 2009

sertão. sol. letra. telha. amor e barro.

dia 27 de maio de 1984, ela avistara pela primeira vez o seu futuro esposo. tinha apenas 7 anos, mas já sabia que aquele seria seu único e grande amor para toda a vida. passou todos os dias que viriam a frente até o dia de seu casamento a bordar, escrever e esperar o seu véio.


escrever poemas e histórias sobre o seu futuro amor era a sua atividade diária mais esperada, e assim foi até o dia de seu casamento. passava horas a imaginar como seria sua vida de casada, os seus filhos, netos e bisnetos, depois transcrevia todas as suas emoções e certezas para algum papel que encontrasse. guardava todas as suas anotações feitas com esmero e paciência em uma caixinha de madeira no fundo de seu armário e ficava a pensar nelas como se fossem uma recordação de algo que ainda nem acontecera.


casou-se aos 16 anos, ele tinha pouco mais. moraram durante um curto período numa casinha simples emprestada pelo pai do noivo, enquanto construíam a mais bonita casa que a cidade viria a ter.durante os dias, ele subia as paredes da casinha com os tijolos que sua véia fazia. aplicava todo o seu cuidado colocando tijolo a tijolo, e pensava estar pondo pequenas partes de si mesmo naquele abrigo do amor. a cada metro levantado sentia mais orgulho do que fizera, e então, continuava o seu trabalho mais empenhado e feliz.


durante a noite, após a higiene, ela acendia a lamparina na varanda da casa e lia novamente um poema por noite para relembrar dos sentimentos que jamais esquecera. logo ao amanhecer, quando iniciava os seu trabalho, carregava junto a si alguns dos antigos escritos presos nas ancas e caminhava durante horas para ir a beira do riacho colher barro para fazer as telhas e os tijolos da sua futura casa. voltava com as latas de barro, colocava-o na forma para fazer a matéria prima de seu abrigo. fazia nada mais que amor.


quando o barro ainda molhado, transcrevia suas cartas para as telhas e tijolos, como quem inscreve toda sua história e das suas futuras gerações para todo o mundo ver e aprender com o verdadeiro sentimento de pureza. fazia desenhos e escrevia, pintava e completava as telhas com todo empenho e fidelidade. sabia estar escrevendo o passado o presente e o futuro, todos os tempos de forma imutável.


a casa ficara pronta meses depois. os sentimentos de calor humano transpassados para o telhado e paredes da morada eram intensificados pela energia solar. no corpo ela já se faz latente, mas quando permite-se que ela entre em contato com o espiritual, torna-se evidente e pulsante. Mais bela que qualquer compreensão humana.
 
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